Surto substack
quem lê tanta newstícia
Fico noiada com coisas que leio e me impactam. E li no notes sei lá de quem que uma newsletter só atinge sua sobrevivência, o momento onde não será largada no meio do caminho, após a sua 21ª edição. Pronto, noia implantada com sucesso, afinal, eu queria ver algo sobreviver no meio de tantos projetos largados pela metade.
E eu gosto de escrever, antes da newsletter até estava fazendo bastante ficção, pois eu, como toda adulta multi tarefas e extremamente atarefada, tenho um tempo limitado para escrita. São vãos no meio do dia. Agora mesmo estou escrevendo no celular até dar a hora de sair pro trabalho.
Hoje cedo fiquei pensando sobre essa carta de novidades, que metralho quinzenalmente na caixa de e-mail de mais de cem pessoas (até brindei esse feito, jamais pensei que mais de cem pessoas iriam me ler). Fico muito feliz que arranjam tempo para me ler, e eu queria muito ler todas newsletter que recebo também, mas percebi que é humanamente impossível dentro da minha realidade ler tudo o que assinei. Deixo passar batido várias de amigas, porque não consigo ver na hora e depois esqueço - e elas são também tomadas pela chuva de e-mails recorrentes.
Semana passada pela primeira vez desde que me propus esse desafio, não consegui escrever para 2 por 30. Me senti culpada: olha só eu, não conseguindo ser constante de novo em algo. Lembrei então de quando eu tinha uma página para divulgar meus serviços no Instagram e tinha o mesmo sentimento quando não dava para postar os temíveis 10 stories por dia.
Talvez isso também tenha despertado em mim porque cada vez mais vejo aqui e no Notes formas infalíveis para viralizar sua newsletter, e que hoje se você é/quer ser um escritor, é imprescindível fazer parte desse mundo. E já há várias técnicas de crescimento, como monetizar, etc etc.
Não critico isso, afinal, precisamos ganhar dinheiro de algum lugar, e seria incrível se fosse com a escrita. Em meio a isso, tem toda a coisa do algoritmo e aquela cobrança de rede social que conhecemos bem, e tentamos fugir scrollando o Notes em vez do Instagram.
Eu percebi que talvez não consiga mecanizar a escrita assim, como se tivesse batendo ponto no trabalho. Não porque não escrevo com constância dentro do possível, mas porque nem sempre o que escrevo vai caber numa newsletter, e porque às vezes nem tenho opinião nenhuma para emitir.
Acho a internet sufocante às vezes. Ter que estar sempre ligada em tudo, por dentro dos assuntos, criticando, elogiando, exaltando. São tantas palavras e raramente vou lembrar de uma newsletter muito boa que tenha lido um tempo depois, porque a pasta cerebral de informações já vai estar sobrecarregada com as consumidas nas últimas 24 horas. A competição da internet me cansa. Sempre estimulando a trabalhar mais de graça em troca de seguidores, e, quem sabe dentre eles alguém financeiramente interessado na sua escrita.
Não tenho uma conclusão nem uma solução para isso. Esse é o ritmo virtual e do capitalismo 2.0, e não vai ser diferente. Não vou mudar minhas metas e continuarei tentando fazer uma newsletter a cada 15 dias, mas agora com o propósito de saber que um dia vai acabar. Essa ideia de projetos sem fim me assusta um pouco. Acho que qualquer coisa que não tenha um fim pressuposto me assusta.
Enfim, nos vemos na próxima - e na 21ª newsletter.



Fiquei brisando tbm sobre o que falaste das coisas sem fim, como esse conceito vai contra o movimento cíclico da natureza e de todo o universo, onde tudo é um fluxo contínuo de criação-destruição-criação (nascimento-morte-renascimento). Amei, Ka!
Amei essa tua reflexão, Ka. Tbm vejo esse movimento em que tudo se torna produto, meta, lista, cansaço, exaustão e vamos nos cobrando mais e mais, sempre correndo nessa rodinha que virou a internet. Uma pena, né?